Dança sem fronteiras

Por Tatiana Mendonça

A psicóloga Glaucia Rodrigues, 50, entrevistada da Muito deste domingo, acredita no poder que a  dança tem de desconstruir  fronteiras políticas, sociais e religiosas. Ela criou o Encontro de Danças e Músicas do Mundo  – Dançando pela Paz,  que no próximo dia 25  chega à sétima edição. A ideia do evento, que traz ao Brasil professores de danças folclóricas, nativas e danças-rituais antigas de povos orientais e ocidentais, é construir um rico painel da cultura do mundo. Leia trechos da conversa de Glaucia com a repórter Cássia Candra:

Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE

Como nasceu o evento?
Fui fazer um workshop de dança dos Balcãs (danças gregas, da Macedônia e ciganas). E conheci um professor que dava aulas na Universidade de Stockton, na Califórnia, Estados Unidos. Eles estavam comemorando 50 anos desses festivais e nunca havia tido uma participação brasileira. Lá, no pós-guerra, as pequenas comunidades se reuniam para manter vivas suas tradições. Como eu trabalhava na Universidade Anhembi Morumbi, achei que havia mais possibilidade de fazer os eventos lá. Fiz os três primeiros. Depois, achei que tinha que trazer  para a Bahia.

Por que a Bahia?
Porque acho um lugar mais receptivo . E tem a coisa do ritmo, aqui. Culturalmente é muito rica. É toda uma história que a Bahia tem de música…  Então, é uma coisa muito sutil até o fato de trazer esses outros ritmos para mesclar tudo. Acredito que tem uma coisa mais elevada nisso.

Qual é a proposta do evento?
O evento propõe um conhecimento prático. E é dirigido a um público comum, não precisa ter conhecimento de dança. Como são danças folclóricas, qualquer pessoa pode dançar. Durante o dia, faz o workshop e, à noite, dança. A maioria das danças são danças circulares; ou danças-rituais antigas, que provocam um efeito psico-físico. São movimentos simples, mas você trabalha em um círculo, em uma roda. Nessa mandala, os participantes integram os opostos, a psique. A roda é este símbolo que vai te remeter à unidade. Quando você está dançando, tem que estar atento ao que está fazendo, então não tem tempo de estar julgando, por exemplo. Cria um centro de força, de canalização de uma energia muito forte. Então, é um evento prático. As pessoas aprendem muito.

A intolerância cultural é expressiva?
Existe muita intolerância cultural fruto do desconhecimento. Então, este ano, por exemplo, trazemos a Rana Gorgani, uma professora do Irã, um país que está sob os olhos do mundo, por causa da ditadura, dos controles muito rígidos. Mas se, por um lado, tem toda uma questão política muito séria, por outro, tem  uma cultura ancestral que não pode ser perdida nem esquecida. Então, neste momento de transformações sociais e políticas, temos que ressaltar o que este povo tem de bom, que é essa cultura ancestral tão abafada. Nessa era de globalização, é difícil encontrar uma coisa que seja de raiz mesmo, então tentamos resgatar isso por meio da dança e da música. Essa professora do Irã vai mostrar as danças que eram dançadas nos haréns. As mulheres achavam que, para chegar ao paraíso, tinham que dançar e ficavam enclausuradas nos haréns. São danças-rituais muito antigas, que trazem toda a sua gestualidade. Ela trabalha muito também com as culturas daquela região, de países como o Afeganistão. Trazemos também as danças dos curdos, uma minoria étnica rejeitada. Eles falam que não têm a terra, mas têm a cultura, as danças, a língua, as vestimentas. Esse movimento nosso começou assim, dançando juntos para nos conhecer.

VII Encontro Internacional de Músicas e Danças do Mundo – Dançando pela Paz  | De 25/1 a 29/1 | Hotel Bahia Plaza Resort, Estrada do Coco, km-8, Praia de Busca Vida, Camaçari-Bahia. Tels.: 11 3071-3842 e 11 3847-3584. Veja programação aqui.

Fonte: Revista Muito

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