XIII Aldeia Multiétnica proporciona espaço intercultural para trocas de saberes e convivência entre indígenas e não-indígenas

Em prol do fortalecimento das culturas e dos direitos dos povos originários, a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge anuncia a realização da XIII Aldeia Multiétnica. Com a temática voltada aos saberes e fazeres tradicionais indígenas relacionados à arte, saúde e educação, o evento será realizado entre 12 e 19 de julho, em parceria com o Centro de Estudos Universais, na Chapada dos Veadeiros (GO), como uma primeira etapa do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros*. Em localização privilegiada, em pleno Cerrado preservado da região, a Aldeia Multiétnica oferece uma vivência na qual os visitantes incorporam-se ao cotidiano de uma aldeia. Uma experiência de convivência e imersão na natureza e na cultura dos povos participantes: representantes do Alto Xingu (MT), Kayapó/Mebengôkré (PA), Krahô (TO), Guarani Mbyá (SC), Fulni-ô (PE), Xavante (MT) e Karajá (Ilha do Bananal, TO). Outros convidados e lideranças indígenas, de outras etnias, também participarão das atividades.

A programação conta com oficinas, rodas de conversa e atividades diversas, em uma vivência de sensibilização e aprendizado sobre as culturas e a organização social de cada etnia participante e dos povos indígenas em geral.

A edição de 2019 da Aldeia Multiétnica terá entre os seus destaques uma das festas mais tradicionais do povo Krahô: o PEMP ‘KAHÀC. Até ficarem adultos, os indígenas desta etnia passam por vários rituais de iniciação, que marcam as fases da vida (assim como a maioria das etnias indígenas). Existem três modalidades de Pemp ‘Kahàc: KATYTI, HARAPERE e KUKEN-YON-TXY. As crianças devem passar por todas elas. Na Aldeia Multiétnica, será realizada a KATYTI, que significa “esteiras grandes”. As crianças aparecem enfeitadas e encobertas por duas esteiras de adultos, que no final do ritual serão entregues de presente aos seus padrinhos. Tradicionalmente, esta é também uma maneira de renovar as esteiras da aldeia.

A programação vai contar com rodas de conversa e oficinas norteadas pelos temas-chave deste ano: arte indígena, saúde e educação. Entre elas, estão: “Desafios e superações na autogestão dos territórios indígenas”; “Práticas interculturais de saúde integral: a cura tradicional indígena aplicada”; “Cura e evolução humana na visão indígena, com a palavra de anciãos e curadores sobre os desafios para harmonizar a cultura não-indígena”; “O feminino e os ciclos naturais”; e “Educação de raiz para a diversidade cultural brasileira: processos de aprendizagem e transmissão de conhecimentos tradicionais”.

“Neste momento do Brasil, estamos em risco de perder espaços de natureza e de política já conquistados por conta de discursos e diretrizes que vão contra a preservação de territórios e das práticas naturais nas quais estão inseridos os povos que trazemos para a Aldeia. A mobilização indígena e também de não-indígenas para a preservação dessa cultura e a garantia de seus direitos será um ponto sensível da edição deste ano”, comenta Juliano George Basso, coordenador geral da Aldeia.

A Aldeia Multiétnica é um projeto organizado em cinco áreas: Centro de Saberes, que tem a missão de atuar como uma escola de formação humana livre, fundamentada no conhecimento ancestral dos povos originários; o evento Aldeia Multiétnica, que acontece em todo mês de julho e realiza vivências com apenas um povo em outros meses do ano; a Rede Multiétnica, que nasceu para o escoamento da produção artesanal e geração de renda das famílias e comunidades participantes; o Museu Multiétnico, que mantém um conjunto de exposições permanentes abertas ao público, contribuindo para o fortalecimento da história, da memória e dos saberes e fazeres dos povos indígenas e remanescentes quilombolas; e a Hospedaria da Aldeia, que valoriza a região do Cerrado e abre suas portas para um turismo de experiência cultural, único e exclusivo na Chapada dos Veadeiros.

Para participar da XIII Aldeia Multiétnica é preciso se inscrever com a antecedência: existem duas opções de vivência, de 4 e 8 dias. O pacote inclui acesso completo à programação do evento, hospedagem em camping e alimentação completa.
Para as pessoas que não participam da vivência, é possível adquirir o ingresso da visitação diária por R$ 50,00 (R$ 35 antecipado, no site). A visitação acontece de 13 a 19 de julho, das 14h às 18h.

*Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
Em 2019, o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros chega em sua 19ª edição. A primeira etapa acontece na Aldeia Multiétnica, junto aos povos indígenas. A segunda etapa é realizada na Vila de São Jorge, junto a comunidades tradicionais, remanescentes quilombolas e artistas da cultura popular. Mais informações: www.encontrodeculturas.com.br

Serviço
XIII Aldeia Multiétnica
De 12 a 19 de Julho de 2019
Local: Estrada do Vale Verde, Alto Paraíso de Goiás – GO, 73770-000
Inscrições e Informações: e-mail aldeia@encontrodeculturas.com.br
www.aldeiamultietnica.com.br/br/pacotes
Facebook: /encontrodeculturas e /casadeculturacavaleirodejorge

Cansados do tradicional, empreendedores montam empresas sem patrões nem funcionários

POR FILIPE OLIVEIRA

Folha de S. Paulo – Plano de Negócios

A Baobbá é uma empresa com 10 meses de atividade e 35 sócios, todos com os mesmos direitos e deveres na companhia. Na empresa, que fica em um coworking (escritório compartilhado) de São Paulo, a divisão das tarefas do dia a dia é feita de forma voluntária.

Ela desenvolve cinco projetos em paralelo, entre eles as start-ups 101 Chefs, para conectar pela internet cozinheiros e clientes, e a Personal Brasil, que faz a mesma ponte entre personal trainers e alunos.

Sócios da empresa Baobbá, que funciona sem hierarquias
Sócios da empresa Baobbá, que funciona sem hierarquias

Seus sócios fazem parte de um grupo de empreendedores que não quer mais saber da organização hierárquica do trabalho, com patrões que mandam e funcionários que obedecem.

Em vez disso, apresentam-se  como empresas livres, horizontais ou em rede. Não há ordens a serem seguidas, cada pessoa assume as funções para as quais se sente mais motivado.  E espera-se que, com isso, desenvolva seu trabalho com maior motivação,  percepção de propósito e produtividade.

Henrique Katahira, 40, um dos sócios da Baobbá, diz que todos os participantes do grupo são responsáveis por tudo o que acontece na empresa.

“No sinspiramos nas comunidades que começaram com os hippies nos anos 1960, em que se trabalha nesse sistema horizontal. Nelas,  diz-se o seguinte: ‘Se você viu uma tarefa, agora ela é sua.’”

Ou seja, ter uma empresa assim não significa se preocupar menos com os problemas. Pelo contrário, segundo Thaysa Azevedo, 34, o principal requisito para funcionar dessa forma é ter um senso de responsabilidade apurado.

Ela faz parte do NaSala, empresa iniciada no final do ano passado e atualmente com cinco sócios.

Eles desenvolvem, em uma sala de São Paulo que inspirou o nome da companhia,  projetos criados por todos os sócios. Entre eles programa de mentoria individual e série de saraus e palestras que acontecem na sede da empresa). Também se se ajudarem de forma contínua em projetos pessoais de cada membro do grupo, conta Azevedo.

Os sócios do NaSala, Claudia Vaciloto, Bianca Sabatino, Andre Rocco, Rodrigo Franco e Thaysa Azevedo
Os sócios do NaSala, Claudia Vaciloto, Bianca Sabatino, Andre Rocco, Rodrigo Franco e Thaysa Azevedo

SELEÇÃO

Katahira, da Baobbá, explica que não há um processo formal de seleção e incorporação de novos sócios.

Conforme se percebe que se está precisando de alguém com determinada experiência para projeto em andamento, o grupo procura internamente alguém para assumir a função.

Se não houver ninguém disponível, a chamada é aberta para o mercado. A principal forma de achar adeptos ao modelo são as redes sociais, em que há grupos dedicados ao tema das empresas livres.

E O DINHEIRO?

Porém se provar lucrativa a partir desse modelo é uma conquista que ainda precisa ser alcançada pela Baobbá.

Katahira conta que, por enquanto, os projetos da empresa não dão lucro suficiente para pagar as contas dos muitos sócios do negócio. Boa parte deles tem outras atividades, a maioria trabalha também como free-lancer.

Segundo Katahira, é preciso levar em conta que os projetos são novos e, como em qualquer start-up, ganhar dinheiro com ideias inovadoras é algo que leva tempo.

Cada start-up criada pela Baobbá tem equipe própria e seus membros podem definir por consenso como será dividido o dinheiro gerado por ele. Fatores como tempo que cada um dedicam ao projeto e necessidade financeira são levados em conta, diz Katahira.

Outro desafio é a resolução de conflitos. Para isso, o grupo busca sistematizar seus métodos para encontrar soluções::

“A gente sempre tenta usar o bom senso. Mas, às vezes, é complicado. Então usamos processos de decisão. Fazemos uma proposta e perguntamos a todos
se existe alguma razão para não seguir com ela. Se houver alguma objeção, damos um passo atrás e reformulamos a ideia.”

Outro desafio é lidar com problemas quando um dos sócios não se dedica tanto quanto os demais.

“As pessoas têm liberdade para trabalhar da forma como quiser, mas devem ter compromissos com as entregas. Porém a gente ainda não tem uma fórmula para garantir que todos sempre cumpram os prazos que prometeram.”

Segundo Azevedo, do NaSala, a única forma de uma empresa como a sua funcionar é se houver uma grande confiança entre seus membros:

“Não temos uma cobrança como nas empresas tradicionais. Todos aqui sabem qual seu papel”, diz.

REDE

Outra opção que é explorada por empreendedores é trocar a sociedade com algumas poucas pessoas e muitos funcionários por uma rede de parceiros com dezenas de membros independentes.

Depois de chegar a altos postos em multinacionais, Eduardo Seidenthal, 40, deixou a carreira executiva e criou a Rede Ubuntu. A empresa oferece cursos e vivências que tem como objetivo ajudar pessoas na busca por autoconhecimento e descoberta de propósito.

Ele iniciou a empresa há sete anos. Mas, em 2014, decidiu não ser mais dono dela. Deixou para trás o papel de sócio e patrão e definiu que, daí em diante, a empresa se tornaria uma rede, formada por outros profissionais autônomos que compartilhassem sua filosofia de trabalho e conhecimento usado nos atendimentos.

Atualmente são 50 membros, que se reunem a cada 15 dias para discutir novos projetos e rumos da rede.

Seidenthal explica que, conforme a Ubuntu recebe pedidos de projetos, os membros da rede se organizam em grupos para atender a demanda, de acordo com o público com o qual cada pessoa têm mais afinidade.

A empresa possui programas individuais e em grupo, para empresas, ONGs, jovens, mães e idosos.

Eduardo Seidenthal, idealizador da Rede Ubuntu
Eduardo Seidenthal, idealizador da Rede Ubuntu

Cada consultor (chamado internamente de facilitador) tem renda proporcional à quantidade de atendimentos que fez.

Segundo Seidenthal, a transformação da empresa foi importante para aproximar a companhia de suas convicções.

“A filosofia da empresa é de valorizar, ao mesmo tempo, a interdependência e a construção de individualidade. O modelo hierárquico impede isso. Nele, alguém manda e os outros obedecem. E só há oportunidades para alguns, não para todos.”

NEGÓCIOS

Segundo Seidenthal, o novo modelo também traz uma maior percepção da responsabilidade de cada um por seu trabalho:

“Vemos cada vez mais membros assumindo papéis de liderança, trazendo projetos, ideias para funcionarmos melhor. Nosso novo modelo trouxe um protagonismo muito grande.”

Também trouxe mais ganhos para o negócio, diz. Antes, o faturamento da empresa estava muito concentrado em poucas empresas grandes. Agora, com toda a rede atuando junta para buscar clientes, houve uma distribuição maior, que dá mais segurança aos negócios, diz.

NOVOS MEMBROS

Os interessados em entrar para a rede devem participar de encontro em que são explicados os princípio do trabalho feito por seus membros e passar por treinamento baseado neles.

De acordo com suas aptidões, cada participante da rede também assume responsabilidades por trabalhos administrativoss para o grupo em áreas como financeira, comunicação e busca de clientes.

Os custos para manter a operação são pagos de modo voluntário pelos participantes da rede. Todos conhecem a necessidade da empresa e contribuem com o que consideram justo.

DESAFIO

Porém um desafio encontrado pela Ubuntu ao adotar o modelo de rede está em como explicar seu funcionamento ao mercado e se enquadrar nos modelos tradicionais se fazer negócios:

“O sistema ainda não está preparado para dialogar com modelos como o que estamos fazendo. Por exemplo, quando vamos emitir uma nota para uma empresa. Muitas vezes ela quer lançar um pagamento só, mas várias pessoas autônomas fazem parte de nossos projetos.”

CRIPTOMOEDAS

Outra rede brasileira que tem iniciador, mas não dono e, no caso, nem um comitê que a organize, é a Criptotransfer, criada há três meses pelo economista Oswaldo Oliveira.

A rede tem uma página na internet que conecta pessoas que querem aprender a negociar moedas a partir da tecnologia do blockchain (que permite o registro de transações distribuído, sem um órgão central e que está por trás de criptomoedas, como o bitcoin).

Os participantes da rede recebem ferramentas e conteúdos para trabalhar com criptomoedas e são listados em um mapa do site como pontos de apoio do projeto e operadores de moedas digitais.

Quando usam a plataforma da criptotransfer para negociar criptomoedas para clientes, os membros da rede ficam com uma fração do valor da transação.

Apesar de ter criado o site, Oliveira conta que não o controla. Como qualquer outro membro da rede, sua remuneração vem das transações que faz usando a plataforma..

Um novo tipo de burguer em São Paulo

Helena Castello Branco_BookCrossing

Helena Castello Branco, coordenadora do BookCrossing

Posted by Fernanda, Yelp Community
Cheesebook

 

The name may trigger your curiosity but it’s true. Last night, the Yelp São Paulo Elite Squad went out to try a new kind of burger: the cheesebook at Lanchonete da Cidade. The dinner opened its doors to yelpers and to a truly special project, Bookcrossing. What happens when you mix books and burgers, a cheesebook, of course! Each of the guests made a contribution to the Bookcrossing shelf while also taking a different book home with them. The night was full of fun, smiles and delicious yummy burgers. You can check out the photos in our Flickr album or in our Facebook page and read the reviews here.

O nome pode até causar curiosidade, mas é verdade. Na noite passada o Esquadrão Elite do Yelp experimentou um novo tipo de hambúrguer na Lanchonete da Cidade, o cheesebook. Famosa por seus sanduíches, a Lanchonete abriu às portas para os yelpers e para um grande projeto e agora é um novo ponto oficial de Bookcrossing na cidade. Cada um dos convidados fez a sua contribuição para a inauguração da estante, mas eles também puderam trocar e levar livros para casa. Você pode ver as fotos em nosso álbum do Flickr ou na nossa página no Facebook e ler as avaliações aqui.

 

Betty Milan: A Copa é a Copa

Para Folha de S. Paulo

Em 1970, a palavra de ordem da oposição à ditadura era que se torcesse contra a seleção brasileira. Foi cumprida? Não, claro. Foi por terra ao primeiro ataque bem-sucedido. A cada gol dos canarinhos, era um festa e, no dia do tricampeonato, o país inteiro se entregou à folia.

Isso se explica pelo fato de o Braaasilll!, o país da bola, não poder ser confundido com o país oficial. Sumariamente, no seu espaço, a vitória é função do talento, e ela implica o respeito à lei, enquanto, no país oficial, há espaço de sobra para toda sorte de desmando.

Toda tentativa de sabotar o Braaasilll! para combater o país oficial é contrária à nossa imagem e aos valores que podem transformar o Brasil num país desenvolvido. No jogo, as regras são as mesmas para todos e o jeitinho não existe; a competência é um requisito básico, mas exige que se leve em conta o outro; o indivíduo é tão importante quanto o grupo, a individualidade aí se realiza sem que o individualismo possa prevalecer.

O jogo tem uma grande função educativa: ensina a respeitar a regra e dar noção de limite, indispensável à cidadania. Trata-se de um recurso poderoso na formação das crianças, pois no seu contexto a lei vigora e quem faz pouco dela é sempre punido. O jogo indiretamente ensina a dizer não e a aceitar a negativa.

As manifestações contrárias à Copa são contrárias às crianças e é bom lembrar que as despesas com a mesma são maiores do que o previsto originalmente, mas esse custo equivale a um mês de gastos com a educação no Brasil. Bastaria esse dado para ser mais do que favorável à Copa.

Além de fundamental para a formação da personalidade, o jogo também existe para suspender a beligerância –as manifestações atentam contra o próprio espírito da civilização. Em Olímpia, onde nasceram os jogos Olímpicos, todas as hostilidades, inclusive guerras em curso, eram suspensas. O ato que violasse a trégua era considerado criminoso e devidamente punido.

Podemos ser contrários ao que aí está, mas enfrentar o “status quo” opondo-se à Copa, além de inútil, é um ato masoquista. Como diz Platini, é tão importante para os torcedores virem à Copa no Brasil quanto para os muçulmanos irem a Meca. Romper a trégua com manifestações políticas é uma forma de barbárie.

A hora é de deixar a nossa grande cultura popular acontecer como pode, valendo-se da improvisação para a qual somos treinados, difundindo a alegria de que somos capazes e de que o resto do mundo precisa.

De 1995 para cá, o futebol mudou. Depende menos do jogador do que do técnico e do time. Mas, apesar da globalização, o estilo brasileiro continua a se manifestar. As jogadas de Neymar e as pedaladas de Robinho são a prova disso. Não brincam como Garrincha, porém, como este, se valem do jogo para se divertir e levar o público ao delírio da alegria.

Evocando a tradição ocidental da trégua sagrada, devemos proteger o campeonato do mundo e torcer por um jogo limpo como o de Pelé. Exercitava-se para mostrar que mais vale um bom drible do que um chute na canela. Quando jogou pelo Santos contra uma equipe francesa no Parc des Princes, foi atacado por um beque que o chutou indiscriminadamente. Partiu para a luta, aplicando uma série desmoralizante de dribles. Fez valer a Moral do Jogo, que exige o jogo para ganhar. Lembrou que, além de vivermos num país onde penamos por causa da injustiça social e da insegurança, somos súditos de uma monarquia da qual ele é o rei.

BETTY MILAN, 69, é escritora e psicanalista, autora de “O País da Bola“, entre outros.

A Copa é Copa, Betty Milan

Especial da Semana: Pressão social reduz a corrupção

O combate à corrupção no Brasil depende mais do cumprimento das leis vigentes do que da produção de novas leis. Neste sentido, o interesse e a participação populares são relevantes…

por: Roberto Muller Filho / Liliana Lavoratti
foto: Divulgação

Gustavo Justino, advogado, jurista, professor e consultor de gestã pública

“Temos uma ideia deturpada de participação popular ou cidadã porque parece que isso tem que acontecer todo dia e não é assim”, afirma Justino em entrevista ao DCI. “Não temos um pleno exercício de cidadania. Mas a Lei da Ficha Limpa é um exemplo de que a pressão político-social funciona sobre as instituições. Elas mais do que funcionam. Muitas vezes não podem ser nem contidas”, acrescenta.O combate à corrupção no Brasil depende mais do cumprimento das leis vigentes do que da produção de novas leis. Neste sentido, o interesse e a participação populares são relevantes. Essa é a opinião de Gustavo Justino, advogado, jurista, professor e consultor de gestão pública.

De acordo com o especialista, a corrupção no País é tão antiga que precede o surgimento do Estado brasileiro e o próprio descobrimento.

Justino afirma que a redução da corrupção não é apenas proporcional ao crescimento do Poder Judiciário, mas do aumento e da consolidação das instituições políticas e democráticas.

“Os três Poderes deveriam fazer sua tarefa constitucional. O Legislativo faz pouco e o Judiciário vem fazendo. O Judiciário caminha no vácuo entre os -Poderes. Mas no século XXI a hegemonia ainda é do Executivo”, completa.

Justino defende ainda uma reforma política no Brasil. “O sistema político precisa ser reformado não só pela discussão do voto distrital, lista fechada ou lista aberta. Mas como se dá o controle do exercício da função parlamentar, que deve ser um controle social”, afirma. Segundo ele, a questão da imunidade é reserva ainda de autoritarismo.

O jurista prevê ainda que o julgamento do Mensalão vai ser emblemático por se tratar de um precedente importantíssimo no combate à corrupção no País. “O Poder Judiciário vai ter que dar orientação, resposta para o povo, mesmo em caso de absolvição.”

A seguir, a entrevista de Gustavo Justino.

DCI: A corrupção, tão antiga quanto o País, pode ser combatida com leis?

Gustavo Justino: Se a corrupção for tão antiga quanto o País, precede o Brasil, o descobrimento e a consolidação das instituições políticas e democráticas. A origem da corrupção está na confusão entre o público e o privado: de tratar o público como se privado fosse. É o pecado original. Quando a organização política-estatal do Estado moderno começa a se consolidar, no século 18, surge a especialização das funções – legislativa, executiva, jurisdicional – e depois o exercício do poder. Antes, tínhamos o poder concentrado no monarca. A vontade do monarca era a vontade do Estado. Portanto, manifestação sobre a vontade do Estado era coletiva subjetiva. Acredito que o combate à corrupção no País esteja mais ligado ao cumprimento das leis vigentes do que à simples produção de leis. Neste sentido, o interesse e a participação populares seriam relevantes. Uma de minhas linhas de pesquisa na academia é a legitimação da Administração Pública por meio da internalização da democracia e da participação ativa da sociedade.

DCI: A Revolução Francesa representou alguma mudança?

GJ: Com a Revolução Francesa, outra concepção de público e privado – que nos inspira – vai promovendo a evolução do Estado para um modelo burocrático, ocorrendo de forma gradativa. Do século 18 até o início do século 20, nós tínhamos um modelo de Estado Patrimonialista, com alguns reflexos, por exemplo, a questão da França com o modelo napoleônico, já mais forte, ainda autoritário, focado na centralização do poder, na disciplina, no poder hierárquico. Aos poucos, do Estado Absolutista para cá, o exercício do poder estatal passa a encontrar limites, passa a ser controlado. E, nesse sentido, começa a haver uma preocupação com o exercício do poder, que passa a ser condicionado, limitado. Sobretudo, começa uma separação entre público e privado. É nesse modelo patrimonialista que está a origem da corrupção, tanto que não se falava em corrupção porque antes o poder era exercido de uma forma muito subjetiva e patrimonialista. Depois do modelo burocrático e gerencialista, bem mais recente, e no modelo de governança pública, que é o de agora, percebemos que a questão ainda é o exercício do poder, a separação do público e do privado, limitação, condicionamento do exercício do poder, a questão da responsabilização do agente político é muito forte.

DCI: A corrupção precede o Estado brasileiro?

GJ: Precede a origem do Estado moderno e acompanha sua evolução. A questão é: quando o poder começa a ser limitado, condicionado pelo direito, pela lei, pela Constituição e pelo próprio Estado; quando há uma especialização de funções, o que temos até o Iluminismo? Separação de funções, especialização de função e um poder controlando o outro. Temos momentos na história de predomínio dos poderes. No século 19, havia a hegemonia do Poder Legislativo. O parlamento surge ali e personificava o poder porque estabelecia limites. No século 20, temos a hegemonia do Poder Executivo. E é nessa hegemonia que os excessos acabam acontecendo e os outros poderes não limitam nem condicionam o exercício do Poder Executivo.

DCI: No século XXI, a hegemonia ainda é do Executivo?

GJ: Sim. Embora exista um forte crescimento do Poder Judiciário. A força está no Executivo porque tem “a chave do cofre”. E isso significa muito na relação entre poderes. Mas temos a ascensão do Judiciário. Expressões como judicialização das políticas públicas, ativismo do Judiciário e governo de juízes indicam a ascensão de um poder que foi o último a ser criado na história. Poder esse que a população mais confia. Eu não diria que a população não confia no Executivo, mas confia pouco. A população vem confiando menos no Legislativo, ela depende do Executivo. É diferente, mas confia no Judiciário.

DCI: Mas o ex-presidente Lula e a presidente Dilma têm aprovação elevada.

GJ: Sim, mas pela dependência. Essa é uma característica muito brasileira.

DCI: A redução da corrupção é proporcional ao crescimento do Poder Judiciário?

GJ: Não só do Judiciário, mas do aumento e da consolidação das instituições políticas e democráticas em geral. No aspecto da organização do Estado, tanto o Legislativo quanto o Judiciário deveriam fazer a sua tarefa constitucional e não fazem. O Legislativo faz pouco e o Judiciário vem fazendo. A questão é matizar essa questão do Judiciário. O excesso de controle [do Judiciário] é uma realidade e é justificado. O Judiciário caminha no vácuo entre os poderes.

DCI: No Brasil, a noção de cidadania é precária. Até que ponto pode ser dar o controle social?

GJ: A cidadania tem que ser ensinada. Tínhamos uma certa tradição, sobretudo no período pré-democratização da Educação Moral e Cívica, que era calcada nessa ideia de patriotismo, de nacionalismo, tipicamente militarista. Não surtiu efeitos. A redemocratização no Brasil tem um símbolo que é a Constituição cidadã, de 1988, focada no direito dos cidadãos e garantias. Ela cria nova ordem jurídica, mas não cria cultura, que é uma questão importante. Os sentidos de cidadania foram ampliados. Há um catálogo de direitos fundamentais, ainda há um certo protagonismo do Estado na efetivação desses direitos, o que pode gerar a dependência, da forma como isso é realizado. E aí entra a questão dos governos populistas, não só no Brasil, mas na América Latina. A base de cidadania se ampliou, não só pelas instituições como, por exemplo, no caso dos Tribunais de Contas.

DCI: Precisamos de emancipação em termos de cidadania?

GJ: Não gosto de dizer que não temos uma cultura de cidadania. Ainda precisamos de uma emancipação política. A cultura cívica existe, mas ela nunca teve espaço para se colocar. Nos momentos em que isso ocorria, vinha uma revolução, um governo mais autoritário e aí ela se fechava. Não gosto de dizer que o brasileiro não atua. Talvez a nossa cultura cívica seja recente e o Estado – isso é importante – tem um papel de emancipação dessa cultura cívica no sentido de criar políticas de emancipação.

DCI: Nesse contexto se insere a Lei da Informação?

GJ: Me emociono quando penso na Lei de Informação porque não há combate à corrupção se não houver um sistema de informação pública. Como a sociedade vai controlar a gestão pública se não tem informações? E não é só informação no Diário Oficial, a publicação oficial do ato ou estar na Internet. É como isso é explicado para a população. E o que está acontecendo é o instituto participativo: o instituto da audiência pública, consulta pública, conferências nacionais, os conselhos de gestão e de políticas públicas. Tudo isso significa participação popular. Temos prática, mas não temos teoria – estudamos uma teoria – mas não temos uma legislação adequada à efetivação desses instrumentos, mas eles existem e a prática também existe. Existe uma conferência nacional em desenvolvimento organizada pelo Ministério da Justiça que é da Conferência Nacional de Transparência e Controle Social, a ConSocial. É instrumento participativo para discutir formas de combate à corrupção e melhoria da transparência do setor público envolvendo estados, municípios e a União com discussões locais e nacional.

DCI: Quando menciona a importância do Legislativo no combate à corrupção não fica a impressão de que é “o cabrito tomando conta da horta”?

GJ: A questão é importante: o ordenamento jurídico cria deveres para o parlamentar. Qual o foco da atividade de um parlamentar o Brasil? Muitos, aliás, se elegem para ter o que? A imunidade parlamentar. Essa é a chave. O sistema político precisa ser reformado por várias razões. Não é só a discussão do voto distrital, lista fechada ou lista aberta. É como se dá o controle do exercício da função parlamentar, que deve ser um controle social. A questão da imunidade, por exemplo, é reserva ainda de autoritarismo.

DCI: Não deveriam ter imunidade?

GJ: Dessa forma, não. No Brasil, não dá para tirar do serviço público, no qual a questão é a mesma, o vínculo com aquele funcionário que não trabalha. Ainda que a Constituição tenha concebido a Emenda 19, que acaba permitindo avaliação de resultados, na prática não ocorre. Os sindicatos dos funcionários públicos são fortes. Na Constituinte e no governo federal é forte. Não é que eles não permitem, mas são um pouco contrários à avaliação. Isso é disputa de poder. A professora espanhola Suzana Galerra Rodrigo, da Universidade Rei Juan Carlos, diz que o modelo legislativo precisa ser adequado às novas instituições democráticas e o Brasil é conhecido como o País onde isso mais avança.

DCI: Temos a reforma política a ser feita. Como mudar o quadro?

GJ: Um sistema de informação pública como esse que vai ser inaugurado no País não será suficiente se não for acompanhado da reforma política. Essa constelação de pequenos partidos, uma fragmentação no sentido do próprio poder político, mas uma fragmentação do sentido de política. Mas é aí que entram os interesses políticos.

DCI: O que precisa ser mudado?

GJ: O sistema partidário, o presidencialismo, para começar. E só com muita pressão. Tem que haver uma pressão social e não é porque seja este parlamento e esta Legislatura. O político não vai querer mudar. Essa é uma cultura arraigada, foi criado assim e quem chega, com algumas exceções, acaba se comportando da mesma forma senão ele não é eleito. Alguns pontos que teriam de ser mudados: a questão do voto distrital. Tem que ser em lista aberta ou fechada. Não temos controle social de mandato porque esquecemos. O voto distrital misto seria mais adequado à realidade brasileira porque a mudança não seria radical. Seria uma coisa importante: a questão do financiamento das campanhas políticas.

DCI: Há algum avanço no Brasil em relação ao aperfeiçoamento da democracia representativa e democracia participativa?

GJ: Estamos muito bem e avançando. A Lei da Ficha Limpa, por exemplo, é um resultado dessa atuação democrática. Temos uma ideia deturpada de participação popular ou cidadã porque parece que isso tem que acontecer todo dia e não é assim. As intervenções da sociedade vêm, mas precisam ser arranjadas, precisam emergir. Quando emergem, acontecem com força. Não temos um pleno exercício de cidadania. Nisso, eu concordo. Mas há exemplos, a Lei da Ficha Limpa é um exemplo de que a pressão política-social funciona sobre as instituições. Elas mais do que funcionam. Muitas vezes não podem ser nem contidas.

DCI: O fato de o Mensalão ter chegado ao Supremo Tribunal Federal vai na mesma linha?

GJ: O julgamento do Mensalão vai ser emblemático. Acompanho as discussões. Quando eu digo emblemático é um precedente importantíssimo no combate à corrupção no País. Não digo tanto que o resultado deve ser a punição. Mas o Poder Judiciário vai poder se debruçar, vai realizar a atividade jurisdicional no sentido de se saber se estão ou não presentes os requisitos de punição de cada um dos envolvidos. E mais: vai ter que dar orientação, resposta para o povo, mesmo em caso de absolvição. É muito mais: uma atuação do Poder Judiciário forte, que intervém de forma adequada e que acaba auxiliando – aliás, tem um papel, uma liderança – na consolidação das instituições democráticas no sentido de se dizer como a função pública deve ser exercida.

Fonte: DCI

Dança sem fronteiras

Por Tatiana Mendonça

A psicóloga Glaucia Rodrigues, 50, entrevistada da Muito deste domingo, acredita no poder que a  dança tem de desconstruir  fronteiras políticas, sociais e religiosas. Ela criou o Encontro de Danças e Músicas do Mundo  – Dançando pela Paz,  que no próximo dia 25  chega à sétima edição. A ideia do evento, que traz ao Brasil professores de danças folclóricas, nativas e danças-rituais antigas de povos orientais e ocidentais, é construir um rico painel da cultura do mundo. Leia trechos da conversa de Glaucia com a repórter Cássia Candra:

Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE

Como nasceu o evento?
Fui fazer um workshop de dança dos Balcãs (danças gregas, da Macedônia e ciganas). E conheci um professor que dava aulas na Universidade de Stockton, na Califórnia, Estados Unidos. Eles estavam comemorando 50 anos desses festivais e nunca havia tido uma participação brasileira. Lá, no pós-guerra, as pequenas comunidades se reuniam para manter vivas suas tradições. Como eu trabalhava na Universidade Anhembi Morumbi, achei que havia mais possibilidade de fazer os eventos lá. Fiz os três primeiros. Depois, achei que tinha que trazer  para a Bahia.

Por que a Bahia?
Porque acho um lugar mais receptivo . E tem a coisa do ritmo, aqui. Culturalmente é muito rica. É toda uma história que a Bahia tem de música…  Então, é uma coisa muito sutil até o fato de trazer esses outros ritmos para mesclar tudo. Acredito que tem uma coisa mais elevada nisso.

Qual é a proposta do evento?
O evento propõe um conhecimento prático. E é dirigido a um público comum, não precisa ter conhecimento de dança. Como são danças folclóricas, qualquer pessoa pode dançar. Durante o dia, faz o workshop e, à noite, dança. A maioria das danças são danças circulares; ou danças-rituais antigas, que provocam um efeito psico-físico. São movimentos simples, mas você trabalha em um círculo, em uma roda. Nessa mandala, os participantes integram os opostos, a psique. A roda é este símbolo que vai te remeter à unidade. Quando você está dançando, tem que estar atento ao que está fazendo, então não tem tempo de estar julgando, por exemplo. Cria um centro de força, de canalização de uma energia muito forte. Então, é um evento prático. As pessoas aprendem muito.

A intolerância cultural é expressiva?
Existe muita intolerância cultural fruto do desconhecimento. Então, este ano, por exemplo, trazemos a Rana Gorgani, uma professora do Irã, um país que está sob os olhos do mundo, por causa da ditadura, dos controles muito rígidos. Mas se, por um lado, tem toda uma questão política muito séria, por outro, tem  uma cultura ancestral que não pode ser perdida nem esquecida. Então, neste momento de transformações sociais e políticas, temos que ressaltar o que este povo tem de bom, que é essa cultura ancestral tão abafada. Nessa era de globalização, é difícil encontrar uma coisa que seja de raiz mesmo, então tentamos resgatar isso por meio da dança e da música. Essa professora do Irã vai mostrar as danças que eram dançadas nos haréns. As mulheres achavam que, para chegar ao paraíso, tinham que dançar e ficavam enclausuradas nos haréns. São danças-rituais muito antigas, que trazem toda a sua gestualidade. Ela trabalha muito também com as culturas daquela região, de países como o Afeganistão. Trazemos também as danças dos curdos, uma minoria étnica rejeitada. Eles falam que não têm a terra, mas têm a cultura, as danças, a língua, as vestimentas. Esse movimento nosso começou assim, dançando juntos para nos conhecer.

VII Encontro Internacional de Músicas e Danças do Mundo – Dançando pela Paz  | De 25/1 a 29/1 | Hotel Bahia Plaza Resort, Estrada do Coco, km-8, Praia de Busca Vida, Camaçari-Bahia. Tels.: 11 3071-3842 e 11 3847-3584. Veja programação aqui.

Fonte: Revista Muito

Empresas reinventam o PowerPoint corporativo

Por Weruska Goeking

Agências se especializam na produção de apresentação em slides para o mercado corporativo e palestrantes. Mercado nacional movimenta cerca de R$ 40 milhões.

Bernardo e Eduardo Castello Branco, sócios da Casulo Apresentações Vencedoras

A agência Casulo nasceu no ano 2000 com uma proposta multimídia, produzindo sites, vídeos, animações e apresentações para empresas.

Ao longo de 11 anos o número de pedidos de apresentações em PowerPoint aumentou e Bernardo Castello Branco, diretor de criação e atendimento, e seu sócio, Eduardo Castello Branco, diretor de projetos, apostaram na segmentação de parte da agência.

“Sempre que surgia esse tipo de demanda nós gostávamos e ficávamos entusiasmados com o desafio. É um mercado relativamente novo e que está crescendo. É um desafio muito bacana e estimulante”, afirma Bernardo.

Assim nasceu a Casulo Apresentações Vencedoras, em 2010, com aporte de R$ 25 mil para adaptar o escritório da Casulo e contratar nova equipe, hoje composta por diretores de arte, designers e assistentes.

Esses profissionais são responsáveis não apenas por transformar os esboços feitos pelo cliente em um trabalho esteticamente superior, mas também aumentar a eficiência da comunicação, levando em consideração o conteúdo da apresentação e a plateia.

Se, por um lado, algumas empresas chegam a encomendar até cinco apresentações apenas em dezembro – época de maior procura pelo trabalho, já que grandes corporações usam as apresentações como ferramenta para expor os resultado de 2011 e as projeções de 2012 – outras ainda veem com desdém o trabalho realizado com PowerPoint.

Esse é o maior desafio das agências especializadas nesse serviço. “É um trabalho de catequese, porque a visão do mercado é que o PowerPoint é um programa ruim, ultrapassado e que produz materiais de baixa qualidade e visualmente de baixo impacto.

A culpa é do programa ou de quem está manipulando?”, questiona Bernardo.

Por isso, muitos empresários descobrem a ferramenta que a equipe da Apresentações Vencedoras utiliza somente após conhecer algumas de suas apresentações.

“O software melhorou muito em relação às versões anteriores e tem mais recursos. Ele sempre foi tido como um primo pobre de outros softwares de design.

Desenvolvimento

A maior parte do material é produzido para ser apresentado por porta-vozes de empresas e palestrantes. A média mensal da empresa é de 10 de apresentações, com tempo médio de produção de uma semana para cada uma delas.

Na primeira etapa, o cliente apresenta suas ideias para o projeto, o que inclui um roteiro, o objetivo e o público-alvo da apresentação. Depois, a equipe da

Apresentações Vencedoras define a melhor sequência para o roteiro e parte para a criação do layout da apresentação. A última parte é a produção propriamente dita, onde todos os elementos citados são reunidos.

Cada apresentação custa entre R$ 5 e 10 mil, variando de acordo com o número de slides.

Cifras

O faturamento da Casulo é de R$ 516 mil em 2011, sendo que a Apresentações Vencedoras já representa cerca de 60% desse total. O lucro de toda a agência neste ano é e R$ 214 mil.

Para 2012, a meta da Casulo Apresentações Vencedoras é crescer 30%.

Fonte: Brasil Econômico