Quando os livros saem às ruas

Por Blog Acesso

De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, recentemente divulgada pelo Instituto Pró-Livro, cerca de 75% dos brasileiros jamais esteve em uma biblioteca. Apenas 8% vai à biblioteca frequentemente, enquanto 17% o faz de vez em quando. Além disso, a maior parte dos entrevistados pela pesquisa, 71%, respondeu que as bibliotecas são locais “para estudar”. Em segundo lugar aparece “um lugar para pesquisa”, seguido de “lugar para estudantes”. Só 16% disseram que a biblioteca existe “para emprestar livros de literatura”. Já “um lugar para lazer” aparece em 12% das respostas. Como fazer então para incentivar a leitura entre tantas pessoas sem o hábito de frequentar bibliotecas?

Lincoln Paiva, presidente do Instituto Mobilidade Verde, conta que participava de um plantio de árvore em frente à Biblioteca Mário de Andrade quando conheceu Robson Mendonça, ex-morador de rua que se aproximara para agradecer ao secretário do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, presente no evento, por um projeto de zeladoria de praças que envolvia moradores de rua. “Na ocasião o Robson me contou sobre seu sonho de levar livros para a população de rua que não tem acesso à leitura. Ele saiu das ruas depois de encontrar um livro na lata do lixo e, por ter lido o livro de George Orwell “Revolução dos Bichos”, chegou à conclusão: ‘Se um bicho pode fazer uma revolução, porque eu que sou humano não posso?’ De morador de rua ele tornou-se hoje presidente do Movimento Estadual da População em Situação de Rua e ajuda centenas de pessoas que vivem em situação deprimente”.

Robson Mendonça foi o idealizador da Bicicloteca, projeto desenvolvido em parceria com o Instituto Mobilidade Verde, nascido da necessidade de o Movimento Estadual de População em Situação de Rua encontrar uma forma de levar livros aos moradores de rua ou a qualquer pessoa que passe pelo Centro de São Paulo. “A Bicicloteca é para todo o tipo de pessoa. Ela visita cinco praças do Centro de São Paulo, uma a cada dia. As pessoas também têm acesso à internet, pois temos um computador com internet banda larga 3g que é compartilhado  gratuitamente. O computador é alimentado por um sistema de energia elétrica captada por painel solar e armazenada em baterias. Qualquer pessoa pode pegar um livro sem burocracia, não é necessário nenhum documento e também não precisa devolver o livro, é só passar para a frente. Mesmo assim, 98% dos livros retornam, o índice de devolução é maior do que nas bibliotecas”, contou Lincoln Paiva.

“A Bicicloteca emprestou 8.000 livros com apenas uma unidade, que tem capacidade de levar 300 livros por dia. Sabe o que isso significa? Que o Robson é uma das figuras mais extraordinárias que São Paulo já produziu. A vida dele fala mais do que qualquer outra coisa. Mais dia, menos dia, ele será devidamente valorizado por este trabalho”, disse Paiva.

Para o presidente do Instituto Mobilidade Verde, as pessoas não vão a bibliotecas porque são espaços burocratizados e sem apelo para o grande público. “Não estão informatizadas e a programação é extremamente elitizada ou, quando não, pobre demais”, afirmou. “A Bicicloteca não funciona como uma biblioteca tradicional, a função dela é de formação de leitores, de estimular a cultura, a transformação social e a vida em comunidades de leitura e não apenas emprestar livros”, completou Lincoln.

Livros libertados

Helena Castello Branco, coordenadora do BookCrossing Brasil, acredita que iniciativas que levam livros até as pessoas são uma alternativa para a falta de intimidade do brasileiro com as bibliotecas. “Se as pessoas não vão a bibliotecas, projetos como o BookCrossing fazem com que as bibliotecas vão até as pessoas. O intuito do BookCrossing é transformar o mundo inteiro numa grande biblioteca diferente das tradicionais – você não precisa de um documento para retirar o livro. É uma biblioteca livre e sem fronteiras,  sem taxas e sem burocracia, dependendo apenas do bom senso das pessoas em compartilhar livros”, disse.

A proposta do BookCrossing é “libertar” os livros, deixando-os em locais onde outras pessoas possam pegá-los para ler. O público é variado, são homens e mulheres de diferentes faixas etárias que têm em comum a paixão pela literatura e pela partilha de livros. Segundo a coordenadora do projeto no Brasil, “qualquer um pode participar, basta se cadastrar no site www.bookcrossing.com e começar a registrar e libertar os livros”.

“Ao registrar um livro, o site fornece uma sequência de números única, que deve ser anotada na contracapa e/ou capa, junto com o endereço do site e uma mensagem para que a pessoa vá até o site e informe o destino do livro. Depois de ler, o leitor deve fazer um novo registro no site informando onde ele vai deixar a obra para que um novo leitor possa encontrá-la. O novo leitor, por sua vez, deve repetir esse procedimento, ir até o site informar que achou o livro, ler e passá-lo adiante”, explicou Helena.

Há, também, outras formas de troca de livros no site do BookCrossing. Os usuários podem se comunicar por e-mail para trocar livros pelo correio e há um fórum para troca de informações, comentários e formação de grupos que acabam se reunindo e se conhecendo pessoalmente para trocar livros em encontros e eventos. “O BookCrossing também é uma comunidade de leitores”, comentou Helena.

O BookCrossing surgiu no Brasil no final de 2001, alguns meses depois de o programador Ron Hornbaker ter criado o site bookcrossing.com para rastrear a trajetória dos livros deixados pelas pessoas em cafés, bares ou hotéis nos EUA. Hornbaker não imaginava que o site cresceria e se popularizaria tanto, tornando-se rapidamente conhecido em diversos países e ganhando milhares de adeptos que já libertaram alguns milhões de livros pelo mundo. O BookCrossing chegou ao Brasil por usuários que tomaram conhecimento do projeto pela Internet e começaram a registrar e libertar os primeiros livros por aqui,;brasileiros que viajaram para o exterior, tiveram contato com o projeto e trouxeram livros para cá; ou estrangeiros que trouxeram livros registrados no BookCrossing em suas viagens para o Brasil.

Bernardo Vianna / blog Acesso

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Especialista explica como é possível acabar com a corrupção

Com tantas denúncias e escândalos envolvendo práticas corruptas entre empresas privadas e órgãos públicos, é inevitável que se pergunte: A corrupção tem solução? E o que é possível ser feito para combatê-la?

Para o Prof. Dr. de Direito Administrativo da Universidade de São Paulo Gustavo Justino de Oliveira é possível acabar com a corrupção, mas é preciso implementar uma série de mudanças na legislação brasileira para que haja mais transparência na administração dos cofres públicos, e há também a necessidade de um maior controle social.

Em entrevista ao Fantástico deste domingo, o especialista afirma que a sociedade deve acompanhar as licitações de perto, por meio da transmissão dos processos licitatórios via internet em tempo real, o que facilitaria também a constituição de provas. “Essas provas são absolutamente necessárias para eventual punição e responsabilização dos agentes corruptos”, explica.

Justino de Oliveira afirma ainda que existem propostas de que toda e qualquer pessoa que exerce cargo público tenha uma câmera no seu gabinete, para que o dia-a-dia da gestão pública possa ser inspecionado pela sociedade, e ressalta mudanças que podem ser feitas na legislação para inibir a ação de fraudadores, como:
1. Concentração das licitações em uma pessoa ou órgão especializado para facilitar a fiscalização;
2. Utilização de sistemas eletrônicos que permitam maior concorrência e reduzam a pessoalidade e a possibilidade de desvios de conduta nas licitações;
3. Utilização de recursos de fiscalização constante que forneçam meios de prova para apuração e condenação de agentes fraudadores de licitações;
4. Alterações legislativas que punam com maior severidade os agentes que atentem contra o patrimônio público;
5. Fortalecimento e especialização do Ministério Público para acompanhar licitações, inibindo que desvios sejam praticados – aumentando as formas de controles prévio e concomitante – , deixando de apenas buscar a condenação de agentes por ilegalidades já consumadas.

“O Brasil atravessa um momento no qual seus cidadãos passam a tomar consciência da ocorrência de fraudes e a não aceitar passivamente o comportamento criminoso”, comenta o especialista.

Assista aqui à entrevista de Justino de Oliveira ao Fantástico.

Assessoria de imprensa:
Helena Castello Branco
Comunicação & Cultura

“Ciganos”, de Rogério Ferrari, é lançado em São Paulo com exposição homônima

Livro é o resultado da itinerância do fotógrafo baiano por comunidades ciganas

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O livro Ciganos resulta de um projeto fotográfico sem precedentes. Durante três meses, entre 2010 e 2011, Rogério Ferrari percorreu um total de 40 municípios, registrando o cotidiano e as diferentes condições de vida de integrantes das comunidades ciganas da Bahia. O resultado desse trabalho pode agora ser visto na exposição fotográfica com 24 imagens em preto e branco que inaugura dia 21 de abril, às 19h, no Centro de Estudos Universais, com o lançamento do livro homônimo.

Ciganos surge da convivência e da intenção do fotógrafo de transcender a uma estilização, e assim expressar um ponto de vista mais amplo sobre a cultura milenar e sobre a atualidade desse povo. Ciganos, livro e exposição, mostra a vida dos ciganos tal como ela é. O cotidiano de um povo que, como outros, faz parte da história e da formação da sociedade brasileira. O olhar revelado por Rogério Ferrari é o da identidade cultural alémdos estereótipos, mantida apesar das perseguições sofridas ao longo de séculos.

Com 200 páginas e 96 imagens em preto e branco feitas em película, a publicação está inserida no projeto Existências-Resistências, que o baiano Rogério Ferrari desenvolve há alguns anos e que inclui publicações sobre povos e movimentos sociais envolvendo essa temática. Dentro desse trabalho estão ensaios com palestinos, curdos, saarauí (povos do Saara Ocidental), zapatistas do México, além dos sem-terra no Brasil. Esta publicação é prefaciada pela antropóloga Florencia Ferrari.
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Música étnica
Durante o lançamento e a abertura da exposição Ciganos, um grupo composto pelos músicos Gabriel Levy (acordeon), Martin Lazarov (oboé), Ricardo Zohyo (baixo acústico e bandolim) e Thomas Rohrer (rabeca e sax) irá se apresentar ao vivo, contextualizando a obra  de Rogério Ferrari. Os integrantes vão interpretar temas ciganos inspirados na região dos Balkans, incluindo músicas da Macedônia, Romênia, Sérvia, Bulgária e outros.

Abertura da exposição e lançamento do livro Ciganos
de Rogério Ferrari
Data: 21 de abril, a partir das 19h
Local: Centro de Estudos Universais
Rua Araçari, 218 – Itaim Bibi – São Paulo / SP
Tel.: (11) 3071-3842
www.ceuaum.org.br

Exposição Ciganos
De 22 de abril a 20 de maio
24 imagens em P&B
40cm X 60cm
Horário de visitação: seg. a sex. das 12h às 18h
Grátis

Livro Ciganos
de Rogério Ferrari
Editorial Movimento Contínuo
196 páginas
23cm X 23cm
R$ 80,00

CLIPPING
Assista aqui à entrevista de Rogério Ferrari ao Program do Jô

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