Traduzindo Hannah

Rio de Janeiro, anos 1930. O mundo caminha para a Segunda Guerra. No Brasil, uma revolta comunista acaba de fracassar e o Governo Vargas controla os passos de estrangeiros como os judeus concentrados na Praça Onze.

Imigrante polonês, Max Kutner é um pacato sapateiro que se vê obrigado a trabalhar para a censura postal da polícia, traduzindo do iídiche para o português as cartas de judeus como ele, com o intuito de buscar mensagens cifradas nas correspondências.  É uma tarefa ingrata, envolta em dilemas que tiram a paz do sapateiro. Afinal, delatar a vida alheia nunca esteve em seus planos. Max tenta agir com frieza e distância, mas as coisas logo fogem ao seu controle.

Sua rotina começa a mudar quando ele se encanta com as cartas que uma boa alma, de nome Hannah, escreve para a irmã distante. Em sua correspondência, as duas falam de suas vidas pessoais, e expressam sua pureza de espírito e amor fraterno incondicional. Max se apaixona pela adorável desconhecida e, obcecado por encontrá-la, desafia o mundo e acaba descobrindo mais do que pretendia. Inclusive a seu próprio respeito. E percebe que nem tudo na vida tem tradução.

Passado na antiga capital do Brasil, TRADUZINDO HANNAH, novo romance de Ronaldo Wrobel, se desenvolve num enredo literalmente vertiginoso, e retrata um momento essencial na história deste país “que era uma afável algazarra, um cortiço hospitaleiro contanto que as regras — ou a falta delas — fossem acatadas. E o judeu típico, impregnado de culpas e medos, tradicional intruso na casa alheia, ia se achegando em levas sorrateiras, como um bloco errante que se agrega à folia e, mais cedo ou mais tarde, ronca a cuíca da irmandade.”

Narrador hábil, irônico e gracioso na medida, Wrobel conta a seu favor um excelente senso de ritmo, com elipses capazes de suspender o fôlego do leitor. Dono de uma prosa elegante, nas palavras de Cíntia Moscovich, que assina a orelha do livro, “o autor elabora um painel humano e uma rede de peripécias como poucas vezes antes se viu na cena literária nacional”.

Ronaldo Wrobel (Rio de Janeiro, 1968) é  escritor e advogado. Autor dos romances Traduzindo Hannah (Record, 2010) e Propósitos do Acaso (Nova Fronteira, 1998), dos contos reunidos em A Raiz Quadrada e outras histórias (Bomtexto, 2001) e do infanto-juvenil Nossas Festas – celebrações judaicas (Francis, 2007). Cresceu ouvindo tios e avós com suas histórias sobre a Europa Oriental. Contavam como o judaísmo resistia ao preconceito, como era a vida na Rússia e na Polônia, como fugiram das perseguições e do comunismo, como vieram parar no Brasil e o que encontraram aqui. Esse judaísmo influenciou muito sua literatura, inclusive quando fala de assuntos não-judaicos. Em 2002, A Raiz Quadrada e outras histórias foi recomendado pelo Ministério da Cultura para ser adotado pelo acervo das bibliotecas públicas federais. Em 2010, participou da mesa “As nossas ficções de cada dia”, na 6a. Festa Literária Internacional de Pernambuco – FLIPORTO, ao lado de Contardo Calligaris e João Tordo. É também roteirista, tendo feito cursos com Doc Comparato e nas universidades Gama Filho e Estácio de Sá. Em 2001, produziu o documentário Assim Sendo (curta-metragem) e fez o roteiro do vídeoclipe Estranho Jeito de Amar, estrelado pela dupla Sandy & Junior em 2006. Assina uma coluna mensal sobre Israel na revista Menorah.

TRADUZINDO HANNAH
Ronaldo Wrobel
Grupo Editorial Record/Editora Record
272 páginas
Preço: R$ 32,90
Formato: 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-01-09114-7
Ficção nacional | Romance

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